quinta-feira, 30 de julho de 2015

FRAGMENTOS I

A vida é tão tênue, presa por um ínfimo fio à existência, que pelo simples fato de existir o Ser e o Não-Ser estão justapostos. (In "Quase Diário", Editora da Universidade)

terça-feira, 28 de julho de 2015

ALTERIDADE

A mágoa talvez seja inimiga da reconciliação. Pessoas que um dia estiveram juntas e, por divergências existenciais, daquelas em que o foco da vida é visto através de ângulos diferentes, podem cultivar resíduos sentimentais que chegam a cegar o olhar, criando uma nuvem que ofusca até mesmo a visão do bem comum.

O fato de os pares estarem em desacordo sentimental não deveria significar que as arestas não resolvidas continuem a interagir entre ambos ao ponto de gerar conflitos em terceiros.

É o caso de pais que resolveram por decisão própria, ou por acidente de percurso, gerar um filho e, depois, concluíram que seus caminhos nunca foram trilhados pela mesma estrada.

Quando, um e outro, agora no seu percurso próprio, continuar com a nuvem escura frente à fonte das suas interpretações, seja ela de cunho social, da vida pragmática; seja ela de cunho existencial, da existência vivida, nunca descortinará a possibilidades de, ele próprio, ser feliz, pois a magoa impossibilitará toda forma de um viver pleno de satisfações.

Pior do que tudo isso  é levar, de roldão, àquele que, em sua vida espiritual, o escolheu para possibilitar-lhe a vida terrena.

Olhar para dentro de si e colher o fruto da bondade, compreensão e do amor incondicional é tarefa imediata que toda e qualquer pessoa nessa situação deveria se propor.

É importante colocar-se em alteridade; eu sou eu e o outro é como eu. Eu sou sujeito e o outro é, também, sujeito. Não existe objeto nessa relação, embora quase que a totalidade dos seres-humanos continuem agindo como se houvesse.

Ab imo pectore!


(À minha filha Mariana: do fundo do meu coração!)

In "Conquiste seu Filho" - livro no prelo da Ed. Evangélica

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segunda-feira, 20 de julho de 2015

FAMÍLIA MODERNA

Tradicionalmente o encanto entre um homem e uma mulher era estabelecido pelo doce e ingênuo percurso do olhar, que se debruçava sobre o outro e fixava-se nos olhos. Era a contemplação!

O olhar e os olhos eram as peças fundamentais para um jogo de estética que se consubstanciava no encontro. O encontro dos olhos, intermediado pelo olhar. Assim nascia o amor com sua brandura e esplendorosa doçura. Amar era entregar-se ao outro e o outro era sujeito. Esse encontro de dois diferentes que, ao mesmo tempo, eram dois iguais, anunciava uma união de sujeito com sujeito, sob o beneplácito da alteridade.

Hoje, no mundo moderno, as pessoas se desejam sexualmente. Sim, sexualmente. Não é o rosto aformoseado que atrai e, se o fosse, implícita estaria a sexualidade. A prova inconteste é o fogo da paixão. Nenhum encontro entre homem e mulher desperta o amor; o que explode imediatamente é a paixão; o desejo, a vontade, a posse, a possibilidade do gozo e do êxtase.


O mundo atual não tem mais tempo para a contemplação! O olhar doce que um dia se debruçou sobre o outro agora perdeu a ingenuidade, a delicadeza, a quimera, o sonho; excluindo a possibilidade da alteridade e submetendo-se ao pragmatismo.

O homem do mundo de hoje é pragmático; excessivamente pragmático! A paixão é prova disso; avassaladora e frenética subjuga o outro sem que seja percebida, estabelecendo-se uma relação de sujeito e objeto. Destrói a alteridade e implanta o reinado do ego.

É neste mundo dos homens pragmáticos que as relações interpessoais acontecem e se organizam em uma nova convenção social denominada de "família moderna". Essa "família moderna", não está mais alicerçada nos pilares tradicionais e o conceito de mãe e pai foi desmitificado. 

O pai é uma peça nesse tabuleiro de xadrez; e é considerado eventual, embora necessário no ato da concepção. A mãe só não é uma peça eventual em função do útero, indispensável para abrigar o novo Ser pelo período necessário à sua fuga do casulo. Assim geram-se novos seres-humanos com pais eventuais e mães de ocasião.

Não é raro ouvir-se do senso comum que "pai é aquele que cria"; recentemente uma nova artimanha foi construída para forçar e justificar situações: o "pai do coração". Mas será mesmo que isso funciona emocionalmente?

Por sua vez a mãe, na "família moderna", também perdeu seu papel original e desconstruiu o mito que um dia lhe possibilitou inúmeros adjetivos, coroado com o mais esplêndido que foi o da perfeição.

Assim é que, o filho, fruto dessa "família moderna", é conseqüência! A mulher deseja ter um filho e acredita que pode cria-lo sozinha, que não necessita de um pai a não ser para gera-lo; vai em busca de quem aceite tal absurdo ou engana aos incautos gerando "por conta própria". 

Isso não é raro hoje em dia! 

Outros casais, ao se desvencilharem, esquecem os filhos, que são empurrados à quem os queira ou suportado, invariavelmente, pela mãe. Raríssimas são as exceções em que o pai seja o guardião. Evidentemente haverá aqui um outro tema a ser debatido amplamente, a Pensão Alimentícia, que ficará para um próximo texto.

Assim é que temos pai-mãe e mãe-pai; dois em um.

Fosse somente isso e estaríamos tranquilos pois a criança ainda teria salvação. Mas não! Vários outros "quiprocós" intervêm para sacrificar mais ainda a criança e a Alienação Parental é mais uma das absurdas atitudes que um ou outro impõem ao filho, as vezes sem nem saber o que é isso. 

É tão complexa uma análise como esta que o tema Alienação Parental também deve ser objeto de uma outra discussão, ou texto.

Mas pai-mãe ou mãe-pai talvez fosse menos pior do que realmente acontece. Nem o pai e nem a mãe continuam a viver sozinhos. Ao desvencilhar-se de um encilham-se em outro. É a regra! A exceção é tão ínfima que não perderei tempo em comenta-la.

Unir-se à outra pessoa trazendo consigo um terceiro é àquilo que o senso comum denomina como "já vem com a mala completa"; ou, como dizem no Sul, já vem de mala e cuia.

Tanto o homem como a mulher terão que aceitar o filho de outro! 

Imagine uma relação assim! 

São raríssimos os casos em que essa aceitação seja benéfica para uma criança. E aqui falo estatisticamente, com base científica, ou seja, fruto de pesquisas. 

As exceções, repito, são raríssimas!

Imaginemos um quadro em que o novo casal já traga seus filhos. As crianças recebem um novo pai, ou uma nova mãe, e um novo irmão; sem que seja seu pai, ou sua mãe, e sem que seja seu irmão. 

O marido recebe um novo filho, sem que seja seu filho; a mulher recebe um novo filho, sem que seja seu filho. 

O "amor" moderno fruto da avassaladora paixão irá suportar a invasão do ex-marido ou da ex-esposa em seu novo lar? Sim, pois a criança estará ali todo dia demonstrando que foi gerada por alguém que não é aquele marido ou aquela esposa.

Também é estatístico: os relacionamentos se desgastam com o tempo; em muito pouco tempo. Àqueles baseados em uma nova união desgastam-se mais rapidamente em função das vivências anteriores e das comparações que invariavelmente são feitas. Uma criança "estranha" à um dos novos parceiros contribui para esse desgaste.

Não adiantam argumentos; é assim.

Mas existem exceções, ainda bem!

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quarta-feira, 15 de julho de 2015

MUNDO GELADO!

Tem postagens que é melhor não ler, vídeos que não se deve perder tempo para assistir e fotos dispensáveis; tudo circulando na internet, via Facebook.

A facilidade das informações e a rapidez com que as postagens são feitas fazem-nos acreditar que o mundo globalizado, e a internet, são-nos indispensáveis no mundo de hoje. 

Entretanto, também as calúnias, mentiras, fofocas e as montagens fictícias se reproduzem de forma meteórica e, como um tufão, destrói reputações, causando angústias, raivas, indignações e tristeza aos incautos e àqueles que são atingidos de forma covarde e mesquinha.

Você já pensou em sair do mundo virtual?

Parece impossível abandonar o mundo Virtual, fictício e fantasioso; essa força de atração, que até parece gravitacional, prende-nos à uma máquina de plástico a tal ponto que nos segrega da realidade.

Escravos de uma máquina, presos à um mundo de fantasia, sozinhos junto à uma multidão. Essa é a nossa vida neste século!

Na realdade virtual é pouquíssimo o espaço para as relações interpessoais e ao desligar o computador sobra-nos a solidão de um mundo gelado.

terça-feira, 14 de julho de 2015

RELEMBRANDO...

Relembrar faz parte da existência do homem; viver somente olhando para a frente pode ser que tropecemos em alguma pedra; viver somente o presente certamente nos faltará informações, orientações e ensinamentos. Olhar para trás, com o devido cuidado, não é pecado mortal. Assim, pois, é que algumas vezes me surpreendo absorto em pensamentos e não raro conversando com fatos de um tempo.

Wandinho Souza
Advogado/Juiz de Paz

Hoje a chuva cai torrencialmente, o barulho que faz no telhado "onduline", um reciclado que auxilia o futuro, lembrou-me as chuvas de Divinópolis, na cobertura que me foi cedida pelo amigo e ex-colega de cátedras Wandinho Souza, através da sua imobiliária, e que me proporcionou as reflexões que eram necessárias à minha existência naquele tempo.

Pois, com a chuva e a lembrança de Divinópolis, a mente caminhou naquela direção a numa fila indiana foi cumprimentando os amigos que lá se consubstanciaram, e que lá ficaram... Desses tantos, muitos também ex-alunos, ainda perduram os especiais, graças a essa tal de invenção tecnológica tão admirada pelos solitários: A internet! 


Adriana Ferreira - Advogada
E nessa linha senoidal do pensamento, no vai-e-vem das lembranças, Adriana Ferreira surgiu no abraço da saudade. Ela é uma advogada mineira, ainda morando na saudosa Divinópolis, cidade que adora e que hoje tem 228.643 habitantes. Não é mais a cidadezinha em que me "refugiei" por alguns anos, vindo da França e com muitas interrogações existenciais para resolver. Paris tinha sido uma festa, mas as festas acabam e a próxima exigiria uma intensa reflexão sobre o que fazer? Claro, sempre temos um que fazer(?) em nossas vidas e Divinópolis foi o acaso que me proporcionou um tempo para refletir; e foi lá, também, que conheci Adriana, uma verdadeira amiga que despojada de qualquer interesse financeiro auxiliou-me em um dos meus mais ousados projetos daquele momento: Defender uma tese de Doutorado numa Universidade Norte-americana. 

Por que ousado? Porque, parafraseando Marine Le Pen: "eu não falo Inglês; sou brasileiro"! 

Marine Le Pen - Deputada
Marine Le Pen, que hoje está com 46 anos e é uma das 100 pessoas mais influentes no mundo, por ironia segundo a Time, afirmou à mesma revista: "Ah não, eu não falo Inglês! Eu sou francesa." E concedeu a entrevista solicitada pelos ingleses no seu idioma, o Francês. 

Marine, é uma direitista que admiro muito; a conheci em uma viagem oficial quando estava na ativa do Parlamento Brasileiro, ela ainda não tinha sido eleita; hoje é deputada e ocupa uma cadeira no parlamento europeu.  

Adriana também gosta muito do idioma Francês e eu fui contagiado pelos antigos súditos de Napoleão em função de um nacionalismo que sempre admirei. Nas diversas vezes que andei pela França não cansava de observar a beleza daquelas bandeiras em todos os prédios públicos; coisa bem diferente do Brasil, pois nem mesmo nas Embaixadas a bandeira está presente como deveria; a desculpa é que pode sujar. 

Verdade! 

Foi a desculpa que recebi ao censurar um funcionário de uma Embaixada do Brasil em uma de minhas viagens. 

Por que a Bandeira do Brasil não está hasteada? 

Pode sujar, foi a resposta.

Enfim, somos tão peculiares...

Minha amiga não só auxiliou-me na tradução da Tese como envolveu também sua irmã, a novaiorquina Andrea Ferreira. 

Trabalho perfeito! 

Depois Adriana consolidou-se como, além de amiga, uma auxiliar importantíssima nas traduções para a Revista da FADOM, que eu editava pelo Centro de Pesquisa e Pós Graduação - CEPPE, no qual fui Diretor Acadêmico por alguns anos. Todos os "abstracts" daquela revista foram trabalhos da incansável Adriana, alem das outras atribuições que tinha.

Asim é que, os amigos nos servem e nós servimos à nossos amigos. Bonita frase, mas não é assim. Alguns amigos são especiais, outros muito especiais e portanto, para esses amigos, deveremos ser especialíssimos pois gentileza se devolve com mais gentileza. É somente neste aspecto que eu concordo com "olho por olho e dente por dente".

Àquele tempo se foi, mas por ter sido especialíssimo eu olho sem medo para trás.  

Portanto, faço minha reverência aos amigos de sempre, em especial, agora, aos divinopolitanos, e em particular à Adriana Ferreira.

Longue vie à mes amis!

sexta-feira, 10 de julho de 2015

O CAMINHO

"A mais dura batalha dessa guerra rotineira é vencer a si mesmo; desvencilhar-se da negatividade, do ego, da usura, do medo, da posse, do ódio. Àqueles que a isso superarem terão, enfim, suas vidas livres das amarras fatídicas que os amordaçam e sufocam; esse caminho livre abrirá as portas da felicidade e do amor, onde encontrarão os meios afortunados da plena existência, em que a razão e a emoção se encontram." 

(Irapuan Teixeira, parte do texto "Começar de Novo", publicado no Blog do Ira em julho de 2013
)

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quarta-feira, 8 de abril de 2015

INCÊNDIO EM ALEXANDRIA

Foto 01
Um dos maiores acervos do mundo, calculados em um milhão de documentos, foi destruído pelo fogo, possivelmente em um incêndio criminoso ou, na história mais amena, acidentalmente, num episódio que aponta Júlio Cesar (Caius ou Gaius Iulius Caesar ou IMP•C•IVLIVS•CÆSAR•DIVVS - 100 a.C./44 a.C.) como seu causador.

A Biblioteca de Alexandria abrigava documentos originários da Assíria, Grécia, Pérsia, Índia e de muitas outras civilizações; um acervo guardado por mais de cem pessoas que lá viviam em tempo integral para pesquisar, traduzir, copiar documentos, além de auxiliar também na tradução de aulas e conferências.

Foto 02
A foto 01 mostra a antiga Biblioteca de Alexandria e a foto 02 a biblioteca reconstruída em 2002. 

As fotos 03, 04, 05 e 06 mostram a catástrofe da minha Alexandria, queimada acidentalmente, sem a interferência de Júlio Cesar, e que destruiu uma história bibliográfica amealhada em longos anos, com um acervo de mais de 2 mil livros, revistas científicas, coleções raras como a Summae Theologiae de Sancti Thomae Aquinatis; coleção de Freud e Jung; todos os livros em Francês de Simone de Beavoir; minhas teses e dissertações datilografadas (no tempo da Remington e Olivetti); meus escritos para livros em andamento e os malditos, ou benditos, "Pen Drives" que continham minhas ilações e meus escritos não editados com formatação para livros, alguns reunindo teses iniciadas em 2002. O fogo destruiu obras de arte de diversos artistas, meus amigos, alguns já no mundo idílico dos céus, em que o valor sentimental certamente superou o desembolso feito. 

Uma única obra foi salva: o quadro "Ghost", do Artista Plástico Vanderlei Assis​, que adquiri em Brasília, em uma exposição no Congresso Nacional; agradeço o empenho do Sgt. Edson que, juntamento com os bombeiros, nada puderam fazem a não ser o rescaldo, mas buscar àquele quadro em meio às chamas foi um gesto no mínimo surpreendente. O nome do quadro talvez tenha alguma coisa relacionada à sua "salvação". 

Mas virou cinzas outros documentos e processos da vida parlamentar; títulos, quadros e certificados da vida acadêmica, entre os quais os certificados de conferências, palestras e seminários em que atuei na Europa e Estados Unidos; foram-se, também, fotos da vida acadêmica, parlamentar e estudantil e as fotos de recordação das "andanças" em quatro continentes desse mundão que Deus erigiu para os homens.

Minha Alexandria também ardeu no fogo acidental; sorte que sou brasileiro; não desisto nunca!
Foto 03

Foto 04

Foto 05

Foto 06



Foto 07
Assim é que, se alguns de meus ex-alunos (mesmo àqueles que já estão de barbas brancas); meus ex-auxiliares e assessores; meus ex-colegas, hoje todos amigos, tiverem fotos de nossos encontros acadêmicos na Ulbra, na UCS, na FADOM, na FCU, na SBC; na FAT e até na AWU; e outras fotos que marcaram uma trajetória de vida profissional, as estou aceitando, através de cópias; hoje mais facilitadas pelo processo eletrônico, o que já me possibilitou reaver alguma coisa como poderão ver na foto 07. 

domingo, 5 de abril de 2015

É PRECISO CORAGEM

O tema existencialismo não está na "boca do povo" e por isso aborda-lo muitas vezes torna-se enfadonho para àqueles que não estão familiarizados com a filosofia; entretanto, é sempre bom comentar "en passant" fragmentos amenos, próximo à popularidade.

Deparei-me hoje com uma cena já normal nas grandes capitais: A sarjeta e o caos onde habitam humanos sem rumo, sem norte, à margem do que se convencionou chamar de sociedade; vítimas de si mesmo; entregues à ruína da exaustão existencial; presos à ilusão de drogas e à necessidade da compaixão do outro. À beira do abismo!

Fiquei a pensar...

O que leva o indivíduo a desgostar de si; a entregar-se ao nada; a debruçar-se sobre a lama e a imundície desse lodo desumano que lhes esfacela o corpo, inutiliza sua alma e o desliga do seu próprio Ser, desalojando-o do seu espírito?

Por que essa alienação da vida; o corte do ínfimo fio que o ligaria a uma história comum de todos os humanos; à opção insana pelo mais profundo e escuro oceano do vazio existencial?

Se nem mesmo esses humanos que vagam pela escuridão da vida se revelam a si, certamente que mudos estarão a qualquer desses questionamentos.

Mas a existência não é muda; a filosofia não é muda; a razão não é muda; a reflexão não é muda; o mundo não é mudo e a sociedade não deveria ser muda, embora se cale!

Não há desculpa para o culpado e o júri um dia aplicará uma sentença, pois a Lei deve ser cumprida, aqui e acolá.

E qual a Lei que irá punir àquele, àquela, e todos os culpados pelos zumbis que se acotovelam, se esbarram entre si e entre outros, na escuridão de uma existência insana que lhes foi imposta por um determinismo que não escolheu?

Quando nos deparamos com a miséria insana de corpos que se vendem, que se alugam e que se dão, uns aos outros, na podridão da alienação por fraqueza, ou por insanidade, escondendo-se numa tragada de crack ou qualquer outra ilusão que lhes satisfaça o nada existencial, perguntamos se não haverá dentre todos nós responsáveis pelo caos que se instalou numa sociedade que se quer humana?

A cada passo dado, um aqui e outro acolá, as vidas se instalam em ventres diversos e o mundo é alimentado segundo a segundo com seres humanos que ao acaso habitam e desabitam um plano existencial. Os olhos da sociedade ficam cegos a esse vai-e-vem e na imensidão do tempo, que nos contempla, transitamos pela existência como se dela e nela somente o acaso fosse a razão. Não nos perguntamos por que um ventre viciado, alienado e jogado na sarjeta das drogas e do mundo é habitado por outro Ser que o mesmo caminho seguirá. Somos solidários com a miséria humana e ainda temos desculpas religiosas para o submundo social que à margem, e marginalizado, sustenta o “status quo” dessa “divina comédia”.

É de se perguntar: Por que e para que filhos do submundo?

Para que espíritos aqui venham cumprir sua missão; mesmo que seja a de viver como zumbis?

Não mais me serve essa teologia da necessidade espiritual; o que está a me parecer como desculpa para excluir-se da responsabilidade de um mundo insano.

É por isso que fica dificílimo ser um existencialista e ao mesmo tempo um Cristão. É preciso ter muita fé para ser existencialista e olhar profundamente para esse mundo que aí está, e que nele estamos, e apenas contempla-lo, deixando seguir seu curso como se nada fosse de nossa responsabilidade, a não ser, eximir-se da culpa.

Vamos ao processo de alteridade: Eu não queria ser como esse outro, mas colocando-me no lugar desse outro, vejo-me inerte para gritar por socorro, embora esteja com a mão estendida para que me tirem dessa lama.


Até quando?

quarta-feira, 25 de março de 2015

OS SEIOS DA MARQUEZINE

O que tem dentro das cabecinhas "pensantes" de certa (o)s "artistas"? Pelo menos as manchetes do dia induzem-nos a pensar que o nada é um lugar oco, ausente de qualquer conteúdo, um espaço vazio, profundamente escuro em que não perpassa nem o ar. Um túnel aerodinâmico em que se dissipa o ar e qualquer outro componente externo deixando-o como em um vácuo. Pois, talvez, assim se comportem certas cabecinhas "pensantes" que se elevam ao topo do "sucesso" através, e simplesmente, pelo TER.

TER: aquilo que nos é externo; que não somos, só temos a posse; que se pode ostentar; que esta além do SER.

SER: o Eu verdadeiro e único; aquilo que é e não pode "não ser". O que se deveria dar valor maior.

Pois, então, vamos falar da vida dos outros. 

Forme ne exprime pas la beauté.
As cabecinhas tais, ostensivamente aplaudidas pelas manchetes do dia, conservam-se no topo dos "disse-que-me-disse" quando ostentam alguma coisa. Ou seja, o que lhes é externo. Invariavelmente, as mulheres das manchetes, procuram ostentar o corpo; e o ostentam. Muitas, apesar de não beneficiadas pela natureza, beneficiaram-se dos retoques e aformoseamentos da estética e, no mundo virtual, dos chamados photoshop. Senão vejamos: Bruna Marquezine, a ex-badalada do jogador, se mantém na mídia a qualquer momento quando mostra o detalhe da coxa ou belisca um raio de luz no sutiã (quando o usa); a mais recente deixou-o (não o sutiã) quase em desnudo. O sucesso é geral e a manchete de hoje foi: "Bruna Marquezine aposta em decote profundo para prestigiar evento de moda em São Paulo". 

Não poderia prestigiar o evento sem mostrar a beleza da natureza (embora essa beleza, no caso da moça, já esteja se desfazendo pelo (mau) uso)? 

Não, meus caros, é preciso frisson! É preciso que o "povo" se aliene em alguma coisa que não seja próximo aos neurônios superiores (existem os inferiores, não sabiam?). Pois, lá se postaram fotos e fotos da moça com os seios brincando de esconde-esconde numa blusa "voal" (porque o sutiã já voou). A natureza não foi assim tão criteriosa com a "bela" mas os retoques dos cremes e o photoshop foi; e como foi. Com a contribuição da famigerada mídia então... Sucesso!!! Ahhhh, não vamos esquecer o jogador, e seu topete.

Por que? Por que não darem o crédito àquilo que é mais importante? 

Por que? 

Bruna Marquezine é uma boa atriz desde criança. Sabe muito bem a arte da dramatização. Tem o perfil adequado para determinados personagens e sabe como poucas interpreta-los. Por que isto não se sobrepõe à sua estética? Que por sinal é aformoseada. 

Por que?

Claro que o talento é coisa temerosa; pensar nem se fala. Mas isto desde que o mundo se tornou mundo (e se tornou mundo quando alguém começou a ver o mundo). 

Então? 

O valor está no Ter e não no Ser? 

A resposta é: Infelizmente sim!

O corpo faz parte do Ter; aquilo que não é. Apenas se tem. Se tem por um precioso, curtíssimo e finito tempo existencial. Aformoseá-lo faz parte das "conquistas" tecnológicas buscadas pela mundo social. Nesse mundo vale mais a posse; aquilo que se tem e ostenta. Pouco vale o Ser; àquilo que se É; e enquanto É, não pode "não ser".

Não mais nos preocupamos com o mais importante no ser-humano; preocupamo-nos, e observamos, àquilo que o outro ostenta. Assim, também ostentamos, e preocupamo-nos em ostentar para o outro. É um mundo de fantasias!

Eu já vi, e ouvi, Marquezine interpretar, ainda quando criança, e o seu talento artístico é, certamente, muitíssimo mais importante que seus seios à mostra. Assim como outras atrizes têm também como mais importante a capacidade intelectual e artística e não, apenas, a estética e a insinuação sexy como apelo àqueles que vêm apenas com os olhos.
C'est fini!

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

ENQUANTO ISSO...

Enquanto as coisas acontecem... Enquanto isso... Alguns pescam, pois gostam de pescaria; outros burilam a madeira, ou o ferro. Marceneiros, Artesãos, Escultores... todos artistas são! Um peixe ali, outro acolá e o anzol na mão; perícia com seus anzóis, carretilhas ou molinetes. Enquanto isso... as coisas acontecem. Há àqueles que escrevem, que contam histórias ou poetam; talvez porque a vida é uma poesia e o viver um conto a ser contado. Mesmo agora, neste instante, alguém estará lendo, e viajando nas letras do livro escolhido. Ainda têm àqueles que falam, e falam, pois falar é seu ofício; seja ele o de ensinar, seja ele o de legislar, a fala é também a forma de interpretar, de contar e de encantar. 

Enquanto isso as coisas acontecem... Existem outros ainda que pensam, e pensam, e seu pensar talvez a nada sirva, sendo apenas ócio, como um dia disse o filósofo. Mesmo esse ócio ocupa um tempo e no tempo faz seu trânsito, o trânsito existencial; caminho temporal de um dia à outro dia, de uma noite à outra noite, de seu tempo à seu tempo que, finito sendo, tem em seu tempo o limite. Alguns pescam; outros burilam a madeira, o ferro... Alguns escrevem e outros falam. O tempo espreita e o caminho do caminhante é marcado pelos passos do transeunte casual. Do acaso ao ocaso, os passos marcados se confundem com tantos passos que se perdem no trânsito existencial. 

Enquanto isso... 

terça-feira, 10 de junho de 2014

Existência e Ser!

De um modo geral ficamos amuados com esse negócio do tempo; porque o tempo passa, ou melhor, nos passamos pelo tempo! Sem dúvida, este fato nos deixa amuado; deveras!

Talvez seja por essa razão que nos maquiamos. Pinta-se o cabelo; pinta-se a barba; pinta-se aqui e acolá. Pintamos e bordamos! É uma forma de se driblar esse negócio de velhice, terceira idade, melhor idade e um montão de outras tergiversações que nos empurram.

Quando as reflexões exageram, e começamos a nos angustiar, então partimos para o ataque; tudo que não conseguimos fazer e tudo que hoje não é mais como dantes deixa-se de lado e apostamos na netinha, ou no netinho. Queremos que eles façam tudo que não conseguimos fazer ou que não mais podemos fazer. Então, é netinha dançando funk, samba, axé; é bundinha pra lá e pra cá. É desfile de moda, é desfile de miss, é batom na boca, vermelhão, e pintura nos cílios, pretão. Um borrão que dá dó!

Mas não adianta, o travesseiro é infernal!

Mas não desistimos, afinal tem o Facebook!

Essa grande sacada da modernidade nos rejuvenesceu; mas só na internet!

Mesmo assim, enganado e enganando-se postamos fotos e mais fotos de um tempo que não mais existe. Mas, a juventude estampada em cada foto alimenta o ego por alguns instantes. Mais postagens e retroalimentamos a insaciabilidade de se manter outro frente ao momento de agora. Queremos ser outro, queremos ser o que já fomos, queremos o viço da juventude perdida, e perdemos para o tempo; pois ele é inexorável e continua, a cada instante, nos distanciando daquilo que se busca através da ilusão de uma foto, de uma máscara, de um bordado no rosto.

A maquiagem existencial é impossível! Então, possuídos de saudades de nós mesmos, olhamos aquela abstrata imagem de uma caminhada no mundo que não mais existe e, percebemos “an passant”, que a vida é efêmera e o feito passado foi perdido na imensidão do tempo.

E o que mais esquecemos?

Esquecemo-nos de nós mesmos, de nós hoje, de nós agora!

Esquecemo-nos de viver o instante; de viver o presente; de mostrar “minha cara” e desnudar "minh’alma" como ela é. As máscaras e as fotografias são simples borrões de um tempo que não mais me pertence e eu, sou somente no agora.

É preciso Ser no mundo e não mais, simplesmente, estar no mundo. A beleza fundamental esta dentro de cada um de nós; a verdadeira imagem nunca se apaga e brilha no fundo de cada ser humano.

Vamos postar as fotos de agora; das rugas da vida, dos cabelos brancos que a neve existencial tingiu para nos fazer maravilhosos; vamos mostrar a viscosidade da vida e a excelência plantada dentro de cada alma.

Vamos nos mostrar, sim, quem quiser se mostrar; mas mostrar a si como Ser e não mais como uma mera fotografia do passado em que o viço da vida esta escondido pelo amarelado do papel ou borrado de tinta, sujo da imperfeição química que nos mascara escondendo-nos de nos mesmos.

Amordace o ego da futilidade e solte as amarras do Ser, liberando-se para a vida!


Et vita vestra Morbi fluentia!